Primeiro oftalmocast, o podcast do site oftalmolife.
Este episódio irá tratar de um assunto extremamente comum nos consultórios oftalmológicos, que é a miopia.
O link para baixar o episódio é: Oftalmocast 01 – Miopia
Este ainda é um episódio experimental e algumas mudanças deverão ocorrer para os próximos episódios e para isso é fundamental a sua participação com com perguntas e comentários.
Espero que vocês gostem e aproveitem.
Grande abraço.
André Pinheiro.
Oftalmocast – Episódio 01 – Miopia
Publicado 27/09/11 por oftalmolifeCategorias: Oftalmologia
Etiquetas: miopia, Oftalmologia, podcast
Por que ler cansa tanto?
Publicado 05/03/11 por oftalmolifeCategorias: Oftalmologia
Etiquetas: computador, e-book, Ipad, lcd, leitura, ler, livros, monitor
Essa é uma pergunta que recebo freqüentemente: “Por que ler cansa tanto?” e a resposta é mais complexa do que parece.
Primeiro há o aspecto muscular da leitura. Quando lemos 3 fenômenos acontecem simultaneamente:
1) Acomodação, o músculo ciliar contrai de forma a mudar a curvatura do cristalino para torná-lo capaz de focalizar para perto;
2) Convergência, os músculos extra-oculares, mais particularmente os músculos reto-mediais se contraem para convergir os olhos de forma a vermos apenas uma imagem do objeto próximo (caso os olhos continuem paralelos iremos ver duas imagens quando olharmos para perto) e
3) Miose, ao ler as pupilas se contraem para aumentar a profundidade de campo e facilitar o foco para perto.
Assim ao ler temos pelo menos 3 grupos de pequenos músculos atuando em conjunto. E como qualquer músculo, entram em fadiga caso usados por muito tempo. Por isso é comum a queixa de pessoas que conseguem ler pela manhã, mas a tarde e a noite não mais conseguem.
Além disso associa-se o fato de que quando fazemos qualquer atividade que exija mais da nossa concentração ou que chame muito a nossa atenção há uma redução no número de vezes que piscamos por minuto. Isso leva a um ressecamento ocular com piora na qualidade da visão e desconforto.
A situação piora muito quando lemos em telas retroiliminadas. O excesso de iluminação contrai ainda mais a pupila aumentando o esforço envolvido.
Além disso ainda há o aspecto ergonômico. As telas dos terminais ficam em uma posição pouco confortável e que forçam a coluna cervical.
Antigamente o tempo que se passava na frente dos terminais era pequeno uma vez que os computadores não eram capazes de fazer muitas coisas. Hoje passamos horas e horas usando o computador e as pausas são cada vez mais raras. Alias até mesmo as pausas do trabalho são passadas na frente dos micros, ou laptops, ou celulares ou tablets já que a comunicação, a diversão e a informação estão todos convenientemente acessíveis em um único local.
E o que fazer? Não é possível retroceder no tempo e fazer um memorando na máquina de escrever, mimeografá-lo e enviá-lo pelo correio. O conselho é a temperança. Fazer pausas freqüentes desviando o olhar ou fazer outra atividade longe do micro ou papel. Deixe a musculatura ocular descansar por 5 minutos a cada hora trabalhada. Só isso já melhora muito os sintomas de cansaço visual. Outra medida simples é piscar mais vezes.
Essa recomendação vale para pessoas com visão normal, miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. A presbiopia é um caso a parte e merecerá um post só para ela em outra ocasião.
Aqui despeço-me.
Um grande abraço.
André Pinheiro.
ALERTA CONTRA VODKA EYEBALL
Publicado 20/09/10 por oftalmolifeCategorias: Oftalmologia
Etiquetas: álcool, burrice, cegueira, cornea, eyeball, lesão, Vodka
Apesar de ter ficado um longuíssimo tempo sem postar, não pude me abster de tecer alguns comentários após ter lido uma reportagem na revista VEJA sobre um jovem que perdeu a visão após ter pingado vodka no olho. (http://bit.ly/co4tGn).
A prática se chama vodka eyeball e existem vários vídeos de jovens (a maioria de americanos – por que isso não me surpreende?) pingando vodka no olho.
Não é preciso dizer que NÃO SE DEVE FAZER ISSO. Mas mesmo assim vou explicar as razões.
A vodka é uma bebida destilada e, portanto, tem 40% de álcool em média na sua composição. O álcool primeiro desidrata as células do epitélio da córnea o que leva a sua descamação. A perda das células do epitélio expõe as células nervosas o que gera muita dor, ardência, sensação de areia, lacrimejamento intenso e vermelhidão. Entretanto a dor inicial pode ser mascarada caso a pessoa já esteja bastante embriagada.
Se apenas isso não bastasse, caso o álcool entre em contato com o estroma da córnea (camada subjacente ao epitélio) haverá desorganização das fibras de colágeno que compõe essa camada com consequente perda da sua transparência. E aí o dano é definitivo.
Sem transparência a córnea não deixa passar luz e sem luz não há como ver.
A única solução é então entrar na fila de transplante de córnea, aumentando ainda mais as filas e outras pessoas que também necessitam de um transplante vão ter de esperar ainda mais por conta da irresponsabilidade de alguns.
Bem, mas por qual razão alguma pessoa em sã consciência iria pingar vodka no olho. O motivo alegado é porque embriaga a pessoa mais rápido. Isso não é motivo suficiente mesmo que fosse verdade. Mesmo que todo o álcool que entre em contato com o olho seja absorvido pela mucosa ocular e vá para a corrente sanguínea, ele não será suficiente para embriagar uma pessoa. É o mesmo que beber uma gota de álcool, veja bem o álcool não é suficiente para embriagar, mas é suficiente para causar danos locais.
Outra razão é para aparecer. Ser o centro das atenções. Ou competição. Com relação a isso é melhor pendurar uma melancia no pescoço. Pingar vodka no olho é BURRICE. E como tal não deve ser glorificada e nem estimulada em vídeos no Youtube.
Coloco-me a disposição para responder a dúvidas sobre esse assunto.
Um grande abraço a todos.
Dr. André Pinheiro.
Injeção Intravítrea
Publicado 28/04/10 por oftalmolifeCategorias: Oftalmologia
Chip de retina cada vez mais próximo da realidade
Publicado 24/09/09 por oftalmolifeCategorias: Oftalmologia
Vários sites de notícias divulgaram hoje que o tão sonhado chip de retina está mais próximo da realidade.
Um protótipo desenvolvido no MIT (Boston) poderá ser testado em seres humanos em cerca de 3 anos.
O chip é selado e será implantado externamente a esclera. Os pacientes terão de usar óculos especiais dotados de uma câmera que transmitirá a imagem ao chip. A energia para o funcionamento da unidade também partirá dos óculos, provavelmente por indução magnética (através do anel mais externo ao redor do limbo).

Os sites de notícias relatam que os casos mais adequados são os de retinose pigmentar e degeneração macular ligada a idade. Mas pelo princípio várias outras doenças podem se beneficiar. Basta o nervo óptico e a região do cérebro responsável pela visão estarem funcionando e como a imagem é captada pelos óculos não deve ser necessário transparência dos meios.
A visão ainda não é boa, mas já é suficiente para o paciente se locomover e isso é um avanço fenomenal!!
Vamos torcer para o sucesso do implante.
Um grande abraço
André Pinheiro
Congresso CBO 2009 – Opinião pessoal.
Publicado 26/08/09 por oftalmolifeCategorias: Uncategorized
Fui ao congresso CBO 2009 em Belo Horizonte de 24 a 27 de agosto. Devo confessar que fui um pouco contrariado. Em grande parte por causa da obrigatoriedade imposta pela política de pontos para renovação do título de especialista (ou você vai e acumula pontos ou não vai e se vira para renovar o título). Acredito que a política de renovação do título seja algo benéfico para a classe oftalmológica, entretanto a participação obrigatória aos eventos tem uma conotação mercantilista: “pague o evento e receba os pontos”.

Entrada do XXXV Congresso CBO
Porém chegando lá algumas coisas me surpreenderam. A organização do evento até que foi boa. O lugar escolhido (Expominas) apesar de longe de tudo era a única opção válida pela enorme quantidade de pessoas. O MinasCentro é mais bem localizado mas não iria comportar todo mundo. Não cheguei a enfrentar enormes filas para pegar o material, mas quem estava fazendo inscrição no local pegou um filão.
Não achei nada de novo nos stands dos laboratórios. Tudo igual a todos os outros congressos. Agora algo que realmente me intriga é o fato do maior stand não pertencer a nenhum dos grandes laboratórios como a Alcon ou Allergan e sim a Ótica Diniz (fato que vem se repetindo todos os anos!).

Pequena parte do setor de stands
Ponto negativo para o Dia Especial. Quem se dignou a pagar a mais pelo dia (como eu) sofreu com salas hiper-super-mega lotadas, muitas pessoas inclusive amargaram o prejuízo e desistiram de assistir as aulas. E quem insistiu (como eu) não conseguiu aproveitar muito pelo desconforto. Outro ponto negativo foi a semana de trabalho perdida, normalmente os congressos aproveitam algum feriado ou final de semana para minimizar o impacto dos dias parados no consultório, mas esse foi de segunda a quinta matando a semana.
Ponto positivo para o memorial oftalmológico com a exposição de aparelhos e instrumentos oftalmológicos antigos. (Link para as fotos).
Em suma, foi um congresso normalzinho. Valeu mais pelos amigos que eu encontrei por lá do que pelo conteúdo científico propriamente dito.
Espero que melhore nos próximos.
Um grande abraço.
André Pinheiro.
Dia Mundial de Saúde Ocular
Publicado 10/07/09 por oftalmolifeCategorias: Oftalmologia, Uncategorized
Etiquetas: acuidade visual, catarata, cegueira, consulta, diabetes, fundo de olho, glaucoma, oftalmologista, OMS, pressão ocular, prevenção de cegueira, retinopatia diabética, saúde
Hoje 10 de Julho é dia Mundial da Saúde Ocular.
O objetivo da data é a de chamar atenção para as medidas de prevenção de cegueira.
É impressionante saber que cerca de 80% das causas de cegueira no mundo são por doenças evitáveis.
No Brasil a principal causa de cegueira é por catarata. Essa é uma causa de baixa da acuidade visual curável através de cirurgia que está disponível também na rede pública.
Infelizmente ainda é comum encontrarmos pessoas cegas por glaucoma e retinopatia diabética. Estas causam cegueira irreversível, porém podem ser diagnosticadas durante uma consulta de rotina e evitadas com tratamento correto.
E é aqui que entra o foco da campanha de prevenção de cegueira, no diagnóstico precoce.
É importante que crianças e adultos façam exames oftalmológicos periódicos, incluindo a avaliação da acuidade visual, motilidade ocular, medida da pressão ocular, avaliação do segmento anterior e do fundo de olho. Apenas isso já diminuiria em muito os casos de cegueira no mundo e melhoraria a qualidade de vida de milhares de pessoas.
Fica então a pergunta:
Você já fez seu exame oftalmológico este ano?
Um grande abraço
André Pinheiro
Recadastramento obrigatório dos médicos
Publicado 19/06/09 por oftalmolifeCategorias: Oftalmologia
Etiquetas: carteira de identidade profissional, CFM, Conselho Federal de Medicina, CRM, médico, obrigatório, Recadastramento
O Conselho Federal de Medicina está convocando todos os médicos para um recadastramento geral obrigatório.
O objetivo do recadastramento, além de atualizar os dados junto ao conselho é o de emitir uma nova carteira de identificação profissional, mais moderna e mais segura.
O prazo para recadastramento é de 18 meses e vai até 11 de Maio de 2010 e é feito exclusivamente pela internet.
Vá até a área indicada no site do CFM ou no site do seu CRM.

Recadastramento obrigatório
Basta preencher os formulários que irão surgindo.
Depois o CFM irá mandar um e-mail confirmando o recadastramento e solicitará que você leve a um CRM ou uma de suas delegacias os seguintes documentos:
- carteira de identidade (RG);
- título de eleitor;
- CPF;
- carteira profissional;
- comprovante de residência (recente);
- diploma;
- títulos de especialista;
- comprovante de sociedade em empresa de serviços médicos, se for o caso;
- se médico estrangeiro, apresentar, também, comprovante de legalidade de permanência no país;
- Também leve uma fotografia colorida, atual, 3x4cm, fundo branco ou cinza-claro, sem qualquer tipo de mancha, alteração, retoque, perfuração, deformação ou correção. Não serão aceitas fotografias em que o portador utilize óculos, bonés, gorros, chapéus ou qualquer item de vestuário ou acessório que cubra parte do rosto ou da cabeça.
Pronto, depois disso é só aguardar a carteira ficar pronta e ir buscá-la.
Um grande abraço.
André Pinheiro.
Residência Médica – Unificação
Publicado 25/05/09 por oftalmolifeCategorias: Oftalmologia
Etiquetas: aulas, Brasília, embriologia ocular, HBDF, HFA, Oftalmologia, programa de residência médica em oftalmologia, Residência Médica, SBrO, UnB, unificação dos programas de residência médica em oftalmologia de Brasília
Brasília acaba de dar um grande passo para a melhoria do nível das residências de oftalmologia. Houve uma unificação no processo de ensino das residências de tal forma que as aulas teóricas serão ministradas para todos os residentes de oftalmologia do Hospital de Base, HFA e HUB, juntos.
Esse sistema apresenta inúmeras vantagens, dentre elas, uniformização do conteúdo dado entre as diferentes residências, maior entrosamento entre os serviços de forma que as deficiências de um possam ser supridas pelo outro, criação de um sentimento de unidade entre os serviços com fortalecimento da classe oftalmológica.
Assim, pela iniciativa, gostaria de parabenizar os colegas responsáveis por tal feito, dentre eles:
Dr. Wener Cella – Presidente do Centro de Estudos de Oftalmologia.
Dr. Rogerio Nóbrega – Presidente da Sociedade Brasiliense de Oftalmologia.
Dr. Flavio Aranha – Coordenador do Programa de Residência Médica UnB.
Dr. Procópio – Coordenador do Programa de Residência Médica CBO.
Dr. José Reinaldo – Coordenador do Programa de Residência Médica HFA.
Dra. Regina Cândido dos Santos – Coordenadora do Programa de Residência Médica HBDF.
Ainda a propósito das aulas. Fui convidado para ministrar a aula de embriologia ocular e para otimizar ainda mais a distribuição do conteúdo e o estudo dos residentes estou compartilhando a aula na íntegra via Google Docs, para quem se interessar:
Embriologia Ocular
Um grande abraço
Andre Pinheiro
Intenso treinamento visual ensina o cérebro a “ver” novamente após um acidente vascular cerebral.
Publicado 15/04/09 por oftalmolifeCategorias: Uncategorized
Etiquetas: AVC, percepção, reabilitação, visão
Em estudo publicado no Journal of Neuroscience, pesquisadores da Universidade de Rochester em Nova York conseguiram melhorar a função visual de pacientes que apresentavam perda visual decorrente de um AVC.
Os pacientes foram submetidos a uma série de exercícios visuais vigorosos em uma tela de computador diariamente e por vários meses.
O treinamento segue o princípio da reabilitação motora e da fala que são sequelas comuns após um AVC, porém não muito utilizada para pacientes com sequela visual.
O estudo mostrou grande plasticidade neural neste grupo de pacientes com áreas do cérebro assumindo as funções perdidas pelas áreas danificadas.
A pesquisa foi realizada em 7 pacientes que sofreram AVC no córtex visual primário (V1), os pacientes com lesões neste local apresentam um intenso comprometimento da função visual apesar dos olhos funcionarem normalmente e continuarem mandando informações para a área do cérebro afetada.
A intensão do treinamento visual é justamente treinar as áreas sadias do cérebro adjacentes a área afetada a usar a informação visual existente e assim melhorar a performance do paciente.
Para o experimento os participantes fixavam o seu olhar para um pequeno quadrado preto em uma tela de computador.
Um grupo de 100 pequenos pontos apareciam em algum lugar do campo visual danificado do paciente, de forma que ao fixar o quadrado o paciente não enxergava os pontos.
Estes pontos se movimentavam para a esquerda e para a direita e depois desapareciam e o paciente tinha de dizer para onde os pontos foram. O índice de acerto no começo do experimento é de 50%, ou seja, puro palpite e evolui para 80 a 90% depois de alguns meses de treinamento.
Mas como os pacientes conseguem escolher corretamente se eles não enxergam os pontos?
Segundo a pesquisadora apesar do paciente não enxergar os pontos em nível consciente eles têm uma noção de que há alguma coisa que eles não conseguem perceber. E é essa sensação que é estimulada com o exercício.
Com o tempo os pacientes conseguem melhorar sua performance visual e sua qualidade de vida.
Fonte: Journal of Neuroscience





