Intenso treinamento visual ensina o cérebro a “ver” novamente após um acidente vascular cerebral.

Em estudo publicado no Journal of Neuroscience, pesquisadores da Universidade de Rochester em Nova York conseguiram melhorar a função visual de pacientes que apresentavam perda visual decorrente de um AVC.

Os pacientes foram submetidos a uma série de exercícios visuais vigorosos em uma tela de computador diariamente e por vários meses.

O treinamento segue o princípio da reabilitação motora e da fala que são sequelas comuns após um AVC, porém não muito utilizada para pacientes com sequela visual.

O estudo mostrou grande plasticidade neural neste grupo de pacientes com áreas do cérebro assumindo as funções perdidas pelas áreas danificadas.

A pesquisa foi realizada em 7 pacientes que sofreram AVC no córtex visual primário (V1), os pacientes com lesões neste local apresentam um intenso comprometimento da função visual apesar dos olhos funcionarem normalmente e continuarem mandando informações para a área do cérebro afetada.

A intensão do treinamento visual é justamente treinar as áreas sadias do cérebro adjacentes a área afetada a usar a informação visual existente e assim melhorar a performance do paciente.

Para o experimento os participantes fixavam o seu olhar para um pequeno quadrado preto em uma tela de computador.
Um grupo de 100 pequenos pontos apareciam em algum lugar do campo visual danificado do paciente, de forma que ao fixar o quadrado o paciente não enxergava os pontos.
Estes pontos se movimentavam para a esquerda e para a direita e depois desapareciam e o paciente tinha de dizer para onde os pontos foram. O índice de acerto no começo do experimento é de 50%, ou seja, puro palpite e evolui para 80 a 90% depois de alguns meses de treinamento.
Mas como os pacientes conseguem escolher corretamente se eles não enxergam os pontos?
Segundo a pesquisadora apesar do paciente não enxergar os pontos em nível consciente eles têm uma noção de que há alguma coisa que eles não conseguem perceber. E é essa sensação que  é estimulada com o exercício.

Com o tempo os pacientes conseguem melhorar sua performance visual e sua qualidade de vida.

Fonte: Journal of Neuroscience

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