Retinopatia diabética – parte 01

Publicado 19/10/12 por oftalmolife
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Depois de milênios sem postar, estou retomando a atividade do blog.

Apesar de todo o período de inatividade sempre tive um bom feedback de pacientes, amigos e colegas que me incentivavam e cobravam a volta dos posts.

Bem, como tenho recebido muitas perguntas sobre retinopatia diabética, resolvi reiniciar o blog com uma série de posts sobre retinopatia diabética. Como o assunto é enorme vou fazer uma série de pequenos tópicos para facilitar o entendimento do tema.

Inicialmente a definição: O que é retinopatia diabética?

Resposta: é a doença que o diabete melito provoca na retina (área do olho responsável pela tradução da luz em impulsos nervosos). Em geral demora muitos anos de mal controle para que a retinopatia diabética se inicie. Isso é parte do problema, como a pessoa não sente nada, não vê nada e nem percebe nada, ela acha que está tudo bem. Só quando os problemas começam a se manifestar é que a pessoa procura tratamento e procura cuidar da glicose e aí já pode ser muito tarde.

É importante que se saiba que retinopatia diabética CEGA de maneira irreversível. Muitas pessoas acham que o tratamento é capaz de resolver todos os problemas. E a verdade é que não é. O tratamento é uma tentativa de frear o avanço da doença. Mas o tratamento, seja ele laser, injeções ou cirurgia não CURA a retinopatia e se o diabete continuar mal controlado a retinopatia vai continuar avançando.

Nos posts seguintes irei explicar um pouco mais sobre essa doença, mas inicialmente gostaria de deixar esse alerta.

Grande abraço.

Oftalmocast – Episódio 01 – Miopia

Publicado 27/09/11 por oftalmolife
Categorias: Oftalmologia

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Primeiro oftalmocast, o podcast do site oftalmolife.
Este episódio irá tratar de um assunto extremamente comum nos consultórios oftalmológicos, que é a miopia.
O link para baixar o episódio é: Oftalmocast 01 – Miopia
Este ainda é um episódio experimental e algumas mudanças deverão ocorrer para os próximos episódios e para isso é fundamental a sua participação com com perguntas e comentários.
Espero que vocês gostem e aproveitem.
Grande abraço.
André Pinheiro.

Por que ler cansa tanto?

Publicado 05/03/11 por oftalmolife
Categorias: Oftalmologia

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Essa é uma pergunta que recebo freqüentemente: “Por que ler cansa tanto?” e a resposta é mais complexa do que parece.
Primeiro há o aspecto muscular da leitura. Quando lemos 3 fenômenos acontecem simultaneamente:
1) Acomodação, o músculo ciliar contrai de forma a mudar a curvatura do cristalino para torná-lo capaz de focalizar para perto;
2) Convergência, os músculos extra-oculares, mais particularmente os músculos reto-mediais se contraem para convergir os olhos de forma a vermos apenas uma imagem do objeto próximo (caso os olhos continuem paralelos iremos ver duas imagens quando olharmos para perto) e
3) Miose, ao ler as pupilas se contraem para aumentar a profundidade de campo e facilitar o foco para perto.
Assim ao ler temos pelo menos 3 grupos de pequenos músculos atuando em conjunto. E como qualquer músculo, entram em fadiga caso usados por muito tempo. Por isso é comum a queixa de pessoas que conseguem ler pela manhã, mas a tarde e a noite não mais conseguem.
Além disso associa-se o fato de que quando fazemos qualquer atividade que exija mais da nossa concentração ou que chame muito a nossa atenção há uma redução no número de vezes que piscamos por minuto. Isso leva a um ressecamento ocular com piora na qualidade da visão e desconforto.
A situação piora muito quando lemos em telas retroiliminadas. O excesso de iluminação contrai ainda mais a pupila aumentando o esforço envolvido.
Além disso ainda há o aspecto ergonômico. As telas dos terminais ficam em uma posição pouco confortável e que forçam a coluna cervical.
Antigamente o tempo que se passava na frente dos terminais era pequeno uma vez que os computadores não eram capazes de fazer muitas coisas. Hoje passamos horas e horas usando o computador e as pausas são cada vez mais raras. Alias até mesmo as pausas do trabalho são passadas na frente dos micros, ou laptops, ou celulares ou tablets já que a comunicação, a diversão e a informação estão todos convenientemente acessíveis em um único local.
E o que fazer? Não é possível retroceder no tempo e fazer um memorando na máquina de escrever, mimeografá-lo e enviá-lo pelo correio. O conselho é a temperança. Fazer pausas freqüentes desviando o olhar ou fazer outra atividade longe do micro ou papel. Deixe a musculatura ocular descansar por 5 minutos a cada hora trabalhada. Só isso já melhora muito os sintomas de cansaço visual. Outra medida simples é piscar mais vezes.
Essa recomendação vale para pessoas com visão normal, miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. A presbiopia é um caso a parte e merecerá um post só para ela em outra ocasião.
Aqui despeço-me.
Um grande abraço.
André Pinheiro.

ALERTA CONTRA VODKA EYEBALL

Publicado 20/09/10 por oftalmolife
Categorias: Oftalmologia

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Apesar de ter ficado um longuíssimo tempo sem postar, não pude me abster de tecer alguns comentários após ter lido uma reportagem na revista VEJA sobre um jovem que perdeu a visão após ter pingado vodka no olho. (http://bit.ly/co4tGn).

A prática se chama vodka eyeball e existem vários vídeos de jovens (a maioria de americanos – por que isso não me surpreende?) pingando vodka no olho.

Não é preciso dizer que NÃO SE DEVE FAZER ISSO. Mas mesmo assim vou explicar as razões.

A vodka é uma bebida destilada e, portanto, tem 40% de álcool em média na sua composição. O álcool primeiro desidrata as células do epitélio da córnea o que leva a sua descamação. A perda das células do epitélio expõe as células nervosas o que gera muita dor, ardência, sensação de areia, lacrimejamento intenso e vermelhidão. Entretanto a dor inicial pode ser mascarada caso a pessoa já esteja bastante embriagada.

Se apenas isso não bastasse, caso o álcool entre em contato com o estroma da córnea (camada subjacente ao epitélio) haverá desorganização das fibras de colágeno que compõe essa camada com consequente perda da sua transparência. E aí o dano é definitivo.

Sem transparência a córnea não deixa passar luz e sem luz não há como ver.

A única solução é então entrar na fila de transplante de córnea, aumentando ainda mais as filas e outras pessoas que também necessitam de um transplante vão ter de esperar ainda mais por conta da irresponsabilidade de alguns.

Bem, mas por qual razão alguma pessoa em sã consciência iria pingar vodka no olho. O motivo alegado é porque embriaga a pessoa mais rápido. Isso não é motivo suficiente mesmo que fosse verdade.  Mesmo que todo o álcool que entre em contato com o olho seja absorvido pela mucosa ocular e vá para a corrente sanguínea, ele não será suficiente para embriagar uma pessoa. É o mesmo que beber uma gota de álcool, veja bem o álcool não é suficiente para embriagar, mas é suficiente para causar danos locais.

Outra razão é para aparecer. Ser o centro das atenções. Ou competição. Com relação a isso é melhor pendurar uma melancia no pescoço. Pingar vodka no olho é BURRICE. E como tal não deve ser glorificada e nem estimulada em vídeos no Youtube.

Coloco-me a disposição para responder a dúvidas sobre esse assunto.

Um grande abraço a todos.

Dr. André Pinheiro.

Injeção Intravítrea

Publicado 28/04/10 por oftalmolife
Categorias: Oftalmologia

Bem, depois de um loooooongo período de inatividade do blog, estou voltando a postar e se Deus quiser com uma maior frequência.
Tenho recebido dos pacientes várias perguntas relacionadas a injeção intravítrea e irei neste post explicar um pouco mais sobre este procedimento.
A injeção intravítrea consiste na administração de alguma medicação dentro da cavidade vítrea, ou como muitos dizem no “miolo do olho”.

Esquema ilustrativo de uma injeção intravítrea

Esse procedimento não é novo, entretanto o que vem evoluindo são as medicações disponíveis para a injeção e a gama de doenças passíveis de tratamento por essa via.
No passado as injeções intravítreas se restringiam a administração de antibióticos ou antifúngicos para tratamento de endoftalmites.
Atualmente, porém, as injeções estão sendo indicada para o tratamento de degeneração macular ligada a idade (DMLI) exsudativa e outras causas de neovascularização, edema macular cistóide, inflamações intra-oculares, dentre outras.
Essa via de administração é usada normalmente em doenças da retina. A retina é o tecido nervoso que faz a transdução da luz que entra em nossos olhos em estímulos nervosos que são interpretados pelo cérebro compondo a imagem.

Retinografia

Em geral doenças da retina tem efeito devastador sobre o sentido da visão, em particular a DMLI que afeta a região central da visão. A posição e a fisiologia da retina em nossos olhos torna este tecido um pouco “isolado” e a concentração de drogas administradas por via tópica (colírios) ou sistêmica é em geral muito baixa no nível da retina.
Por isso a administração intravítrea se torna ideal, pois com uma pequeníssima quantidade de medicamento aplicada diretamente na cavidade vítrea atinge-se altas concentrações da droga na retina que se mantém por um razoável período de tempo dependendo da droga utilizada.
Porém nem tudo são flores, a injeção intravítrea é um procedimento invasivo e deve ser feito por oftalmologista habituado ao mesmo (normalmente o especialista em retina) e mesmo assim não é isento de riscos.
As principais complicações relacionadas a injeção são o aumento da pressão intra-ocular, hemorragia vítrea, descolamento de retina e endoftalmite. Felizmente tais complicações são raras, uma vez que em geral são muito prejudiciais a visão.
A injeção deve ser realizada em centro cirúrgico com técnicas assépticas sob anestesia tópica ou local e o acompanhamento após o procedimento deve ser rigoroso.
Mas apesar de soar extremamente doloroso e perigoso o procedimento é rápido e a maioria dos pacientes refere não ter sentido nada.
Cabe ao oftalmolgista diagnosticar a doença e indicar a injeção intravítrea adequada a cada caso.

Chip de retina cada vez mais próximo da realidade

Publicado 24/09/09 por oftalmolife
Categorias: Oftalmologia

Vários sites de notícias divulgaram hoje que o tão sonhado chip de retina está mais próximo da realidade.
Um protótipo desenvolvido no MIT (Boston) poderá ser testado em seres humanos em cerca de 3 anos.

O chip é selado e será implantado externamente a esclera. Os pacientes terão de usar óculos especiais dotados de uma câmera que transmitirá a imagem ao chip. A energia para o funcionamento da unidade também partirá dos óculos, provavelmente por indução magnética (através do anel mais externo ao redor do limbo).


Os sites de  notícias relatam que os casos mais adequados são os de retinose pigmentar e degeneração macular ligada a idade. Mas pelo princípio várias outras doenças podem se beneficiar. Basta o nervo óptico e a região do cérebro responsável pela visão estarem funcionando e como a imagem é captada pelos óculos não deve ser necessário transparência dos meios.
A visão ainda não é boa, mas já é suficiente para o paciente se locomover e isso é um avanço fenomenal!!
Vamos torcer para o sucesso do implante.
Um grande abraço
André Pinheiro

Congresso CBO 2009 – Opinião pessoal.

Publicado 26/08/09 por oftalmolife
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Fui ao congresso CBO 2009 em Belo Horizonte de 24 a 27 de agosto. Devo confessar que fui um pouco contrariado. Em grande parte por causa da obrigatoriedade imposta pela política de pontos para renovação do título de especialista (ou você vai e acumula pontos ou não vai e se vira para renovar o título). Acredito que a política de renovação do título seja algo benéfico para a classe oftalmológica, entretanto a participação obrigatória aos eventos tem uma conotação mercantilista: “pague o evento e receba os pontos”.

Entrada do XXXV Congresso CBO

Entrada do XXXV Congresso CBO

Porém chegando lá algumas coisas me surpreenderam. A organização do evento até que foi boa. O lugar escolhido (Expominas) apesar de longe de tudo era a única opção válida pela enorme quantidade de pessoas. O MinasCentro é mais bem localizado mas não iria comportar todo mundo. Não cheguei a enfrentar enormes filas para pegar o material, mas quem estava fazendo inscrição no local pegou um filão.

Não achei nada de novo nos stands dos laboratórios. Tudo igual a todos os outros congressos. Agora algo que realmente me intriga é o fato do maior stand não pertencer a nenhum dos grandes laboratórios como a Alcon ou Allergan e sim a Ótica Diniz (fato que vem se repetindo todos os anos!).

Pequena parte do setor de stands

Pequena parte do setor de stands

Ponto negativo para o Dia Especial. Quem se dignou a pagar a mais pelo dia (como eu) sofreu com salas hiper-super-mega lotadas, muitas pessoas inclusive amargaram o prejuízo e desistiram de assistir as aulas. E quem insistiu (como eu) não conseguiu aproveitar muito pelo desconforto. Outro ponto negativo foi a semana de trabalho perdida, normalmente os congressos aproveitam algum feriado ou final de semana para minimizar o impacto dos dias parados no consultório, mas esse foi de segunda a quinta matando a semana.

Ponto positivo para o memorial oftalmológico com a exposição de aparelhos e instrumentos oftalmológicos antigos. (Link para as fotos).

Em suma, foi um congresso normalzinho. Valeu mais pelos amigos que eu encontrei por lá do que pelo conteúdo científico propriamente dito.

Espero que melhore nos próximos.

Um grande abraço.

André Pinheiro.


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